[Artigo] Pontos-chaves na nutrição de leitōes de creche, por Henrique Scher

[Artigo] Pontos-chaves na nutrição de leitōes de creche, por Henrique Scher

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Escritor: Henrique Scher Cemin

Médico Veterinário, MSC, estudante de doutorado em Nutrição Aplicada de Suínos na Kansas State University

A mudança de ambiente, alteração da dieta e interações sociais são fatores estressores para leitões recém-desmamados que, em última análise, resultam em baixo consumo de ração nos primeiros dias de creche. Cerca de 20% dos leitões demoram 24 horas ou mais para se alimentar pela primeira vez após o desmame (Bruininx et al., 2001). Além disso, o sistema digestivo de leitões recém-desmamados é adaptado para secreção de enzimas especializadas na digestão de leite e deve se adequar à nova dieta. Estes e outros fatores contribuem para um estado de acentuado déficit energético que leva ao menos 7 dias para retornar a níveis comparáveis ao pré-desmame (Le Dividich and Sève, 2000) e reflete-se em baixo desempenho no início da creche.

Desta forma, o objetivo na primeira fase da creche é maximizar o consumo de ração. Para tanto, o uso de ingredientes com alta palatabilidade e digestibilidade, como produtos lácteos, é recomendado para auxiliar na transição entre o leite materno e a ração. Além destes benefícios, uma importante função destes ingredientes é limitar a inclusão de farelo de soja. Suínos respondem ao consumo de farelo de soja com uma reação de hipersensibilidade tipo III que se manifesta 3 a 4 dias após a exposição, com adaptação entre 7 e 10 dias. Durante este período, observa-se queda no desempenho e maior suscetibilidade a doenças entéricas (Engle, 1994). Portanto, o nível de inclusão de farelo de soja deve ser limitado à 15 a 18% na primeira fase e gradativamente aumentado nas fases subsequentes. Recomenda-se a inclusão estratégica de farelo de soja para estimular a adaptação dos leitões o mais rapidamente possível. Dietas com produtos lácteos devem ser fornecidas apenas nas primeiras semanas pós-desmame devido ao elevado custo.

“A mudança de ambiente, alteração da dieta e interações sociais são fatores estressores para leitões recém-desmamados” – Henrique Cemin

Em virtude da seleção genética, suínos modernos apresentam maior ganho de peso com menor consumo diário de ração na creche (PigChamp, 2015). Portanto, as exigências de aminoácidos, expressas como porcentagem da dieta, cresceram dramaticamente ao longo da última década. Os níveis de Lis e demais aminoácidos são facilmente obtidos na literatura (NRC 2012; Rostagno et al., 2017) ou através de manuais de empresas de genética. Entretanto, deve-se observar que os níveis indicados para máximo desempenho não necessariamente otimizam os lucros. Utilizar níveis como 95 a 98% da exigência é uma estratégia que resulta em dietas mais econômicas, muitas vezes sem prejuízo ao desempenho. Uma abordagem prática é a utilização de níveis moderados de Lis na primeira fase da creche, quando as dietas são complexas e caras, e níveis relativamente altos nas fases subsequentes, quando as dietas são a base de milho e farelo de soja (Tokach e Vier, 2017). Além disso, as dietas devem ser formuladas com aminoácidos sintéticos, desde que economicamente viável, por auxiliar na redução da proteína bruta e consequentemente no controle de diarreia (Heo et al., 2009).

A adição de óxido de zinco em níveis farmacológicos em dietas de creche é uma prática comum. A suplementação de 3.000 ppm de Zn diminui a incidência de diarreia e melhora o desempenho (Shelton et al., 2011). Entretanto, estes efeitos são observados apenas nas primeiras 3 semanas pós-desmame e a suplementação de Zn deve ser reduzida drasticamente após este período sob risco de toxicidade e impacto no desempenho. Além disso, o uso indiscriminado de Zn na suinocultura pode causar aumento em cepas de Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (Slifierz et al., 2015). A suplementação de 250 ppm de Cu também tem efeitos positivos no desempenho, porém efeitos aditivos de Zn e Cu não são observados (Hill et al., 2000). Outros aditivos devem ser analisados minuciosamente. Respostas inconsistentes e elevado custo indicam boas oportunidades para remover produtos da formulação sem impactar o desempenho e, desta forma, aumentar a lucratividade.

Leitões na fase de creche tem alta exigência de sódio: 0,40, 0,35 e 0,28% para leitões entre 5 e 7, 7 e 11 e 11 e 25 kg, respectivamente (NRC, 2012). Apesar do baixo custo, não é incomum que nutricionistas optem por uma inclusão fixa de sal, o que pode resultar em níveis abaixo da exigência e importante impacto no desempenho (Shawk et al., 2016). Outros macrominerais que merecem atenção são Ca:P. Pesquisas recentes demonstram que leitões entre 11 e 25 kg apresentam respostas lineares à níveis crescentes de P e indicam que as recomendações do NRC (2012) subestimam a exigência de P nesta fase (Vier et al., 2017). A relação Ca:P também deve ser avaliada. Queda no desempenho é observada quando os níveis de Ca são excessivos e é mais pronunciada quando o nível de P é deficiente (González-Vega et al., 2016). Portanto, sugere-se evitar baixos níveis de P e que a relação Ca:P seja mantida entre 1:1 e 1:1,25.

Finalmente, um ponto crítico a ser avaliado pelo nutricionista é que melhorias no desempenho na creche não necessariamente se refletirão em melhor desempenho na terminação. Grande parte das alterações na dieta geram melhorias no desempenho durante o período em que a mesma é fornecida, mas não no desempenho subsequente (Tokach e Vier, 2017). Exemplos disso são aminoácidos, antibióticos e complexidade da dieta. Desta forma, ao ponderar mudanças na formulação ou inclusão de aditivos, deve-se analisar o benefício econômico no período de inclusão isoladamente, evitando projetar ganhos futuros.

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